• Marcio Funchal

Maiores Produtores de Energia Elétrica com Biomassa Florestal do Brasil

Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Gestão e Estratégia - Edição de Maio de 2021.


A disponibilidade e acesso à energia elétrica são aspectos fundamentais para a dinâmica de crescimento industrial e social de qualquer país. O Brasil é referência mundial sobre o tema, pois mais de 80% de sua matriz energética é baseada em fontes renováveis.


A Tabela 1 mostra a composição da Matriz Energética nacional (dados consultados em 1º Maio de 2021). Das unidades em operação, é fácil identificar a dependência da geração das hidrelétricas (62% da potência instalada no país). Nos projetos futuros e já devidamente protocolados no órgão federal, a fonte de destaque é a energia fotovoltaica, tanto em termos de quantidade de plantas geradoras como em potência instalada total (41% dos novos projetos). São geradoras de menor porte mas que vem à reboque de oportunidades das mudanças legais no setor elétrico nacional (principalmente nos sistemas isolados). Em termos totais, estão em andamento quase 1mil novas plantas de geração de energia elétrica no Brasil, as quais juntas representam um incremento de 22% na potência instalada atual.


Considerando apenas as empresas do setor de base florestal, a estratificação da base de geradores de energia elétrica está simplificada na Figura 1. Conforme os números, 25% da energia elétrica produzida no país provêm de termelétricas, sendo que destas 35% são alimentadas com biomassa. Das termelétricas à biomassa, 16% da potência instalada são representadas por plantas industriais que geram eletricidade através do licor negro e 4% mediante queima de madeira.


Sobre as termelétricas à licor negro (subproduto resultante do processamento da madeira durante a fabricação de celulose), elas atualmente representam em termos nacionais o seguinte:

  • Cerca de 16% da geração de energia elétrica com biomassa;

  • Quase 6% da geração de energia elétrica das termelétricas do Brasil (considerando combustíveis fósseis e renováveis);

  • Aproximadamente 1,5% da toda a geração de energia elétrica do país (considerando todos os tipos de geração: hidrelétrica, termelétrica, eólica, fotovoltaica, nuclear e undi-elétrica).

Com relação às termelétricas alimentadas com madeira (madeira “in natura”, seja ele na forma de tora, lenha, cavaco, maravalha, costaneira, galhada, raízes, tocos e outros tipos de biomassas oriundas de árvores). Atualmente, estas termelétricas possuem a representatividade nacional a seguir:

  • Em torno de 4,0% da geração de energia elétrica com biomassa;

  • Cerca de 1,5% da geração de energia elétrica das termelétricas brasileiras (com combustíveis renováveis e fósseis);

  • Quase 0,5% da geração total de energia elétrica do país.

Em termos regionais, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina são os Estados que concentram a maior potência instalada de geração de energia elétrica em operação no país, considerando respectivamente os combustíveis licor negro e madeira (ver Figura 2).


Olhando agora individualmente para cada termelétrica projetada para operar com licor negro, temos atualmente 18 devidamente autorizadas, mas nem todas operantes (há empresas paralisadas em razão de problemas financeiros e judiciais). A Tabela 3 mostra que estas unidades juntas somam uma potência instalada da ordem de 2,6GW. A maior termelétrica em operação, atualmente, pertence ao projeto Puma da Klabin, em Ortigueira - PR. A Suzano, após a compra da Fibria, acumula várias termelétricas desse grupo.


Ainda levando em conta as termelétricas à licor negro, estão legalmente cadastradas no órgão federal apenas 3 novos projetos, cada qual com seu próprio estágio de desenvolvimento (ver Tabela 4). Estas novas termelétricas somarão 750 MW de potência instalada ao Sistema Elétrico Nacional. A planta mais significativa se refere à expansão da unidade de celulose da Bracell (antiga planta da Lwarcel) no Estado de São Paulo.


Avaliando agora as termelétricas que geram energia elétrica e são alimentadas com madeira, temos hoje 68 plantas autorizadas a operar no país. A Tabela 5 mostra que a maior termelétrica em operação é a da unidade de papel da Westrock, localizada em Três Barras – SC. Juntas, as quase 70 unidades em operação têm potência instalada de quase 625MW.


Em termos de projetos em andamento (ver Tabela 6), o caso de destaque é o da futura planta de celulose da Euca Energy, em implantação no município de Alto Araguaia – MT. Outro caso que merece destaque é o projeto Onça Pintada da Eldorado. Apesar de já ter realizado testes operacionais, até a data da consulta à base de dados do órgão federal (01/05/2021), esta termelétrica ainda se encontra na fase “em projeto”. As 14 novas termelétricas devidamente registradas somarão 680 MW de potência instalada ao sistema. Um destaque interessante a fazer aqui se refere aos projetos de geração de energia elétrica da Oxe Energia, que não possuem vínculo com nenhuma indústria diretamente, como é o caso da maioria. No caso deles, em especifico, o empreendimento que somará a potência instalada de 40MW irá gerar energia para a rede elétrica do Estado de Roraima, que nos dias atuais não é interligado ao Sistema Elétrico Nacional, cuja geração está baseada no momento em termelétricas à óleo diesel.


Consolidando então as potências instaladas das termelétricas à licor negro e madeira já em operação, junto aos projetos em implantação, tem-se na Tabela 7 um ranking dos maiores geradores de energia elétrica do Brasil, considerando estas duas fontes de combustível.


De acordo com os números, a Suzano já é atualmente a líder nacional na geração de energia elétrica do setor. Mesmo considerando as concretização de todas as expansões citadas, ainda assim terá quase o dobro da potência instalada de geração de energia elétrica da 2ª colocada do ranking: a Klabin. Importante lembrar que Bracell e Euca Energy só irão se posicionar no Top 5 após a concretização de suas novas termelétricas. Este cenário entre os Top 10 será alterado à medida que as companhias avancem no processo de implantação de novas linhas de celulose e papel no seu portfólio industrial.


Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Gestão e Estratégia - Edição de Maio de 2021.


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