• Marcio Funchal

Líderes Nacionais da Produção Florestal no Brasil

Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Estratégia e Gestão - Edição de Dezembro de 2021.

Para encerrar o ano de 2021, a coluna Gestão e Estratégia deste mês trás uma radiografia da produção florestal no Brasil. Os dados disponibilizados pelo IBGE em 2021 mostram a efetiva produção de madeira in natura ocorrida em cada município brasileiro, oriunda exclusivamente de plantios florestais comerciais (importante destacar que os dados publicados pelo IBGE em Out/21 se referem aos resultados consolidados do ano 2020).


Em termos nacionais, a área plantada com florestas comerciais equivale a aproximadamente 1% da extensão territorial brasileira (Figura 1), uma pequena fração quando se tem 30% do país ocupado por terras com produção rural.

Nos plantios comerciais, o Eucalipto e Pinus predominam, uma vez que juntos acumulam em torno de 96% da área plantada, conforme dados recentemente divulgados (Tabela 1).

Mas onde exatamente se dá a produção florestal no Brasil? A produção efetiva de madeira ocorre no momento do corte da floresta, transformando a árvore em pé em produtos consumíveis. Para fins estatísticos, temos a separação dessa produção em três categorias de produtos: lenha, madeira em tora para celulose/papel e madeira em tora para outros usos (ou seja, para serrados, pisos, molduras, chapas de compensado, chapas de madeira reconstituída – MDF, MDP, etc - produção de energia, carvão vegetal, madeira tratada e outros usos diversos).


A Figura 2 resume a produção florestal em 2020. Os números comprovam a importância dos maciços florestais de Eucalipto para a indústria de celulose e papel, embora também tenhamos uma importante cadeia produtiva de celulose marrom no Brasil.

Olhando agora separadamente o destino da produção florestal de cada gênero selecionado, se vê na Figura 3 que o Eucalipto é muito concentrado na indústria de celulose e papel e no uso energético com lenha. Já o Pinus possui predominância de atendimento de múltiplos mercados.

Em termos espaciais, temos um fenômeno interessante a ser destacado: grandes concentrações de maciços florestais não representam necessariamente grandes volumes de produção. Isso ocorre pois, diferentemente da agricultura, onde a produção necessariamente precisa ser colhida ao final da safra, a madeira só é efetivamente produzida quando se tem demanda industrial que justifique o corte da floresta.


A Figura 4 mostra que, em 2020, o Paraná foi o líder nacional da produção florestal no Brasil, embora possua apenas a 4º maior área plantada (cerca de 50% da área plantada de Minas Gerais, a maior do país). Em 2º lugar ficou Santa Catarina, que embora tenha apenas a 6ª maior área plantada (menos de 1/3 da área plantada mineira), desbancou os gigantes nacionais. Esse retrato mostra que os mercados industriais de Paraná e Santa Catarina estiveram muito mais ativos que os do restante do país. Considerando as peculiaridades de cada gênero florestal, São Paulo e Rio Grande do Sul também merecem destaque.

A Figura 5 avalia onde se deu a produção de madeira dos plantios de Eucalipto, considerando o destino industrial. Aqui a localização das indústrias tem grande importância. Interessante notar a concentração de mercado em poucos Estados (cerca de 60% da produção se deu em apenas três deles, em todos os destinos industriais).

A mesma análise regional, agora com os plantios de Pinus (ver Figura 6), mostra ainda mais concentração da produção florestal: Paraná e Santa Catarina foram responsáveis por no mínimo 88% da madeira in natura produzida no país, em 2020.

Descendo agora ao nível municipal, a Tabela 2 mostra os líderes nacionais da produção florestal em 2020. Ribas do Rio Pardo – MS foi o campeão nacional geral, em decorrência de sua relevância no mercado de celulose de Eucalipto. Telêmaco Borba – PR se consolidou como vice-campeão geral, uma vez que aparece com destaque tanto na produção do Eucalipto como do Pinus (mercado de celulose). Isso explica porque General Carneiro – PR, na porção sul do Estado, aparece como líder apenas na produção nacional de Pinus (mercado de multiprodutos), mas não na lista geral (Eucalipto e Pinus somados).

Avaliando agora apenas os plantios de Eucalipto, temos líderes nacionais distintos conforme o destino da produção florestal. No caso da lenha, interessante notar que os três mais relevantes estão localizados no entorno de Porto Alegre – RS.

A Tabela 4 fecha as análises mostrando os líderes municipais da produção florestal de Pinus. Não há grandes surpresas no ranking, uma vez que em todos os mercados elencados constam municípios com grande tradição da indústria florestal. Talvez o mérito da ressalva fique para Lages – SC, por aparecer simultaneamente na listagem do mercado da lenha e de celulose e papel.


Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Estratégia e Gestão - Edição de Dezembro de 2021.


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