• Marcio Funchal

Desempenho da Indústria de Celulose, Papel e Papelão na Visão do Empresário do Setor

Atualizado: Jan 27

Artigo publicado originalmente na Revista O Papel/ABTCP - Coluna Gestão e Estratégia


Neste mês de Dezembro de 2019, apresentamos um compilado de indicadores de desempenho da Indústria Nacional de Celulose, Papel e Papelão, pela ótica do empresário do setor. As variáveis apresentadas a seguir têm o objetivo de mostrar como as indústrias do setor têm se comportado desde 2013, período que iniciou fortemente o agravamento da crise política e econômica brasileira.


O primeiro indicador analisado se refere à confiança do empresário com relação à economia do país (Figura 1). Os dados mostram que o empresário do setor teve uma percepção bastante negativa a respeito da situação atual da economia brasileira entre os anos de 2013 e 2015 (gráfico do lado esquerdo). Esta percepção negativa foi se reduzindo gradativamente até o final de 2017. Em 2018 e 2019, o empresariado alternou expectativas positivas e negativas ao longo do período. Mais recentemente, a visão de uma melhora dos indicadores aponta para uma percepção mais positiva para o futuro, no que tange à economia nacional.


Já com relação à expectativa do futuro da economia nacional (gráfico do lado direito), os dados mostram que o empresário vinha de uma expectativa futura positiva até a metade de 2013. Este cenário mudou para uma perspectiva negativa entre a metade de 2014 e a metade de 2016. Contudo, desde então, este sentimento negativo perdeu força e mais uma vez o empresário do setor voltou a acreditar em uma melhoria futura da economia, apesar das oscilações momentâneas.


Figura 1 – Índice de Confiança do Empresário da Indústria de Celulose, Papel e Papelão

Um reflexo direto da questão econômica, à saúde financeira das empresas do setor também foi avaliada. A Figura 2 mostra o índice de satisfação do empresário da Indústria de Celulose, Papel e Papelão com a margem operacional de sua empresa e com a situação financeira da companhia.


Com relação à margem operacional, os empresários vêm demonstrando um sentimento negativo ao longo de todo o período considerado. Assim, mesmo que a empresa apresente resultados econômicos positivos, o empresariado acredita que as margens são insatisfatórias. Interessante perceber que, desde 2016, os meses de novembro e dezembro representam, na média, o período onde a insatisfação é menor dentro de cada ano. Com relação à situação financeira, foram poucos os períodos com sentimento positivo desde 2013. Uma ligeira neutralidade dos dados foi registrada entre 2017 e 2018, mas a negatividade voltou a crescer em 2019, reduzindo-se novamente nos meses mais recentes.


Figura 2 – Desempenho Financeiro da Indústria de Celulose, Papel e Papelão

No tocante ao desempenho da produção física da Indústria de Celulose, Papel e Papelão, a Figura 3 mostra que na maior parte dos anos avaliados, foram registrados meses com retração do nível de produção (produção de um mês em relação ao mês imediatamente anterior). Isso é particularmente preocupante, pois mostra que o setor “andou para trás” no referido período, em termos acumulados.


Adicionalmente, a Figura mostra também que em vários períodos houve um acúmulo de estoque de produtos acabados acima do nível planejado, principalmente a partir de 2017, apontando para uma dificuldade das indústrias em finalizar o ciclo completo de produção (compra de insumos e matéria-prima, industrialização, vendas e entrega do produto comercializado). Há também vários períodos em que os níveis de estoque estiveram abaixo do previsto, demonstrando, adicionalmente, a dificuldade das companhias em se adaptar ao padrão produtivo frente às alterações da demanda.


Figura 3 – Desempenho Operacional da Indústria de Celulose, Papel e Papelão

Fechando as análises, o último conjunto de variáveis analisadas corresponde às expectativas futuras do empresariado com respeito à demanda de mercado e ao número de empregados do setor. No tocante à demanda, os números mostram que o empresário da Indústria de Celulose, Papel e Papelão é particularmente confiante, uma vez que exceto pelo período compreendido entre 2015 e 2016, todo o restante do período avaliado ele demonstrou sentimento positivo quanto à expectativa da demanda futura do mercado consumidor. Este sentimento, inclusive, tem tido crescimento positivo desde a metade de 2016.


Os números mostram também que, com relação à quantidade de trabalhadores da indústria, o empresário se mostra em geral pouco confiante, porém numa escala menor do que os níveis de pessimismo vistos até 2016. Desde então, em principio, o empresário entende que embora o mercado deva se aquecer no futuro (via aumento da demanda), as fábricas devem inicialmente reduzir o nível de ociosidade para, em um segundo momento, voltar a contratar.


Figura 4 – Expectativas Gerais para a Indústria de Celulose, Papel e Papelão

Artigo publicado originalmente na Revista O Papel/ABTCP - Coluna Gestão e Estratégia


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