• Marcio Funchal

Desempenho da Indústria Brasileira de Celulose, Papel, Papelão e Produtos de Papel

Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Estratégia e Gestão - Edição de Março de 2022.


Na coluna desde mês trago números atualizados a respeito do desempenho da Indústria Brasileira de Celulose, Papel, Papelão e Produtos de Papel (chamarei aqui resumidamente de Indústria de Celulose e Papel). De forma comparativa, também vos apresento desempenhos de outras duas cadeias produtivas: (i) Indústria da Madeira (fábricas de madeira maciça, portas, janelas, chapas de compensado, MDF, MDP, OSB e outros produtos em geral), e (ii) resultados nacionais médios da Indústria da Transformação como um todo.


A Figura 1 mostra a evolução média do faturamento das três cadeias produtivas destacadas. É interessante notar que a indústria de celulose e papel teve um crescimento similar ao das demais em todo o período avaliado, embora seja fácil perceber um descolamento do ritmo de crescimento do faturamento dela para com as demais, a partir do 1º trimestre de 2020. Na linguagem de corredores do mercado financeiro, diz-se que o faturamento cresceu “um degrau abaixo”. Além disso, embora os dados mais recentes mostrem retração do faturamento médio no início de 2022, é importante notar que este mesmo movimento de queda nas receitas tem ocorrido de maneira cíclica na virada de ano dos últimos anos.


Já a Figura 2 mostra como as indústrias percebem a demanda futura de seus mercados. Os dados de 2020 confirmam expectativas futuras muito ruins durante o 1º semestre de 2020, auge da pressão dos Estados e Municípios para paralisação das atividades produtivas no Brasil. Nos meses mais recentes, a expectativa com o futuro volta aos patamares médios históricos, saindo inclusive daquela onda de otimismo desenfreado que normalmente ocorre na sequência de momentos econômicos muito difíceis.

O histórico da taxa de utilização da capacidade instalada das indústrias avaliadas está sumarizado na Figura 3. Por característica natural, a indústria de celulose e papel opera em níveis mais elevados do que a média nacional, apresentando também menores oscilações ao longo do tempo. Cabe também o destaque da baixa influência das paralisações da pandemia no ritmo de trabalho da indústria de celulose e papel. Já o comportamento das horas trabalhadas (ver Figura 4) mostra que a indústria de celulose e papel opera hoje quase 10% acima do que a sua média de horas de 2018. As demais indústrias hoje se mantêm, em média, nos mesmos níveis de 2018.

A Figura 5 mostra que o comportamento da produção industrial das três cadeias industriais selecionadas é muito similar, no período considerado. Desde a metade de 2020, a tendência geral tem sido de redução dos volumes de produção industrial. Se olharmos para a média de 2021, a indústria de celulose e papel reduziu sua produção de modo mais acentuado do que a indústria da transformação. A indústria da madeira, no mesmo período, foi a que apresentou a menor retração, dentre as cadeias produtivas avaliadas.


Em modo complementar, a Figura 6 compara a gestão dos estoques de produtos acabados das indústrias. Historicamente, a indústria da madeira se posiciona com a maior dificuldade (dentre as indústrias destacadas) para manter os estoques conforme o planejamento, ou seja, está trabalhando sob pressão para entregar os pedidos dos clientes. Já a indústria de celulose e papel tem comportamento geral similar ao da indústria da transformação como um todo. Importante notar, contudo, que todas as cadeias produtivas industriais estiveram pressionadas na gestão de seus estoques a partir do 2º semestre de 2020, quando houve uma retomada mais acelerada do comércio de mercadorias no Brasil e no Mundo.


Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Estratégia e Gestão - Edição de Março de 2022.


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