• Marcio Funchal

Desempenho da Indústria Brasileira da Madeira, Celulose, Papel, Papelão e Produtos de Papel

Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Gestão e Estratégia - Edição de Fevereiro de 2021.


Neste mês, caro(a) leitor(a), faremos uma breve análise de desempenho da Indústria Brasileira de Celulose, Papel, Papelão e Produtos de Papel (para facilitar a leitura, vamos chamá-la aqui apenas de Indústria de Celulose e Papel). Ao longo deste artigo, vamos nos debruçar sobre indicadores setoriais da CNI, em comparação com o desempenho de outras cadeias produtivas: (a) primeiramente com o desempenho da Indústria da Madeira (fábricas de madeira maciça, portas, janelas, chapas de compensado, MDF, MDP, OSB e outros produtos em geral); e (b) resultados nacionais médios da Indústria da Transformação como um todo.


O comportamento recente do faturamento industrial pode ser visto na Figura 1. Os dados apontam que de 2015 para cá, o faturamento da Indústria de Celulose e Papel no Brasil cresceu quase 80% (termos nominais), quase o dobro da média nacional da Indústria da Transformação. Se olharmos com mais atenção, veremos que o comportamento do faturamento das três cadeias produtivas segue a mesma tendência ao longo de todo o horizonte de análise. Contudo, a maior amplitude de crescimento do faturamento da Indústria de Celulose e Papel se deu agora no ano de 2020, principalmente a partir do final do 1º trimestre.


A Figura 2 complementa a análise mostrando os dados relativos à expectativa de Demanda para as mesmas indústrias citadas. É fácil perceber o claro crescimento da expectativa de demanda ao longo do período, até que os efeitos da pandemia do COVID-19 derrubaram fortemente as expectativas. Os dados apontam que o 2º trimestre de 2020 foi um período crítico para as indústrias, mas que a partir daí houve uma retomada vigorosa da expectativa positiva de retomada de negócios.

Historicamente, a Indústria de Celulose e Papel demonstra uma boa estabilidade do seu nível de atividade industrial, em comparação com outras cadeias produtivas que sofrem impactos de demandas sazonais. A Figura 3 mostra que, no horizonte temporal destacado, a utilização da capacidade instalada da Indústria de Celulose e Papel sempre esteve acima de 80%, mesmo durante o auge da pandemia do COVID-19 no ano de 2020. Já as demais cadeias produtivas tiveram forte retração da produção em razão da pandemia. Além disso, cabe destacar o comportamento oscilante da Indústria da Madeira: queda em 2016, crescimento em 2017 e 2018, crise em 2019 e início de 2020, com retomada simular à Indústria da Transformação à partir do 2º trimestre de 2020.


A Figura 4 demonstra comportamentos setoriais distintos. A Indústria de Celulose e Papel tem hoje um volume de horas trabalhadas 7% menor do que tinha na média do ano de 2015. A Indústria da Madeira e a de Transformação têm volumes de horas trabalhadas 11% e 13% menores do que suas médias de 2015, respectivamente. Apesar disso, em linhas gerais, as três cadeias produtivas demonstram que o número de horas trabalhadas é menor no início e final de cada ano, já que os picos ocorrem em geral próximos à metade deste período.

O comportamento da produção industrial pode ser visto na Figura 5. Em linhas gerais, as três cadeias industriais seguem a mesma tendência ao longo do período, porém cada qual com sua amplitude particular. Os dados mostram que na média anual, todas as cadeias produtivas tiveram pequenas retrações da produção ano a ano. Contudo, de maneira bastante positiva, o volume de produção disparou a partir do 2º trimestre de 2020, com pico no 3º trimestre. Ademais, os mesmos números mostram uma retração da produção no final de 2020.


Já a Figura 6 mostra comportamentos distintos dos setores industriais com relação à gestão dos níveis de estoque de produto acabado. A Indústria de Celulose e Papel tradicionalmente operou com estoques de produtos acabados maiores do que o planejado, o que indica dificuldade em vendas em alguns mercados. É fácil perceber que a Indústria da Madeira teve comportamento inverso: geralmente os estoques de produtos acabados foram menores do que o planejado. O ponto de consenso para as três cadeias produtivas foi o ano de 2020, onde claramente o crescimento rápido da demanda a partir do 1º trimestre ocasionou um certo desabastecimento no mercado, em razão dos baixos estoques.

Avaliando o conjunto dos seis indicadores de desempenho industrial, tem-se que a Indústria de Celulose e Papel está em uma situação geral mais confortável do que as demais citadas. As maiores vantagens se encontram no patamar crescente de faturamento, que se reflete também no otimismo com o crescimento das vendas (demanda). Operacionalmente a indústria tem feito o dever de casa, uma vez que o nível de ociosidade das plantas tem caído (crescimento do uso da capacidade instalada), demandando simultaneamente menor volume de horas trabalhadas (ganho de eficiência e produtividade). Os destaques que requerem atenção são a trajetória da produção industrial e da gestão de estoques. A estratégia de monitorar o apetite da demanda de mercado será fundamental neste inicio de 2021, como forma de maximizar a alocação de investimentos e custos de produção para níveis ótimos.


Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Gestão e Estratégia - Edição de Fevereiro de 2021.


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