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Comportamento das Importações Brasileiras de Celulose e Papel nos Últimos 10 anos

Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Estratégia e Gestão - Edição de Junho de 2022.

Na edição anterior da coluna Estratégia & Gestão, os leitores puderam acompanhar uma fotografia das exportações brasileiras do setor de celulose e papel (e seus subprodutos: papelão, produtos de papel e papelão e outros). Dando continuidade ao assunto, na coluna deste mês vamos analisar agora o comportamento das importações brasileiras dos mesmos setores industriais.


É claro que, comparativamente com o volume das exportações, as importações de celulose e papel no Brasil são bem menos representativas. Contudo, elas são importantes para dar sustentabilidade ao mercado nacional, principalmente no que tange ao abastecimento das indústrias locais com complemento de produtos vindos do exterior.


No caso do setor de celulose, o volume importado pelo Brasil, nos últimos 10 anos, representa pouco mais de 2% da produção nacional, enquanto as exportações no mesmo período são equivalentes a mais de 65% do que é produzido no país. Além disso, a importância das importações brasileiras de celulose tem caído, uma vez que há 10 anos representavam 3% da produção nacional e, hoje, são cerca de 1%.


Em se tratando do setor de papel, o volume das importações nacionais, acumuladas nos últimos 10 anos, não ultrapassa a 9% do que é fabricado no Brasil. Este volume já chegou a ser da ordem de 12%, mas hoje é de aproximadamente 6%. Assim como no caso da celulose, as importações brasileiras de papel são menos expressivas do que as exportações, uma vez que estas hoje equivalem a cerca de 20% do que é fabricado no território nacional.

As importações brasileiras de celulose e papel se dão majoritariamente por via marítima (ver Figura 1), embora tenhamos também a presença de parceiros comerciais que enviam suas mercadorias ao Brasil por via terrestre (no caso dos países sul-americanos, que utilizam caminhões para o transporte internacional).

Detalhando um pouco mais essa informação, vemos na Figura 2 que o Porto de Santos (ES) é fundamental na logística das importações brasileiras para ambos os setores. Cabe aqui também o destaque para a aduana de Foz do Iguaçu (PR), nas importações rodoviárias de celulose, e o Porto de Paranaguá para o papel.

A Figura 3 mostra quais os principais parceiros comerciais do Brasil. Os dados sintetizam uma forte concentração em poucos fornecedores, principalmente no setor de celulose: apenas 2 países somam praticamente 80% do volume importado pelo país. No setor de papel, os 3 maiores parceiros representam quase a metade das importações brasileiras.

Na Figura 4 tem-se um retrato da composição da pauta de importações de cada setor. Aqui é fácil perceber a concentração em poucos produtos, sendo este fator mais evidente na celulose. No setor de papel, três produtos somam praticamente 70% do volume importado nos últimos 10 anos.

Olhando agora a dinâmica das importações do setor de celulose ao longo do tempo, se vê na Figura 5 que a importação de aparas teve um crescimento fantástico (em termos percentuais) nos últimos 10 anos, tanto em termos de valor como em volume (chegou a somar apenas 5mil ton/ano e agora representa quase 190 mil ton/ano). Já o produto mais importado do setor (pasta química) registrou queda da ordem de 60% no mesmo período (tanto em volume como em valor). Em termos setoriais, o montante das importações brasileiras caiu mais de 40% nos últimos 10 anos (em volume) e quase 10% em valor.

No setor de papel, o volume das importações brasileiras caiu pela metade em 10 anos e quase 60% em questão de valor. A maior queda se deu na importação de papel jornal, passando de 400mil ton/ano para cerca de 25mil ton/ano.

Consolidando os dados das Figuras 5 e 6, a Figura 7 resume a evolução do “preço médio” das importações brasileiras ao longo do horizonte considerado (preço do produto embarcado no recinto alfandegado de importação). No setor de celulose, o preço médio setorial atual é 35% menor do que o de 10 anos atrás (tudo em termos nominais da época, em Dólar). No setor de papel, o preço médio setorial é hoje quase 15% maior do que o do início da série, embora tenha apresentado viés de queda até a metade do horizonte de análise.


Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Estratégia e Gestão - Edição de Junho de 2022.


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