• Marcio Funchal

Comportamento da Produção e Comércio Mundial de Produtos Florestais

Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Gestão e Estratégia - Edição de Março de 2021.


Na coluna deste mês vamos trazer um retrato da produção e do comércio mundial de produtos florestais. Para tanto, utilizamos um recorte temporal mais longo (últimos 20 anos), como forma de mensurar eventuais mudanças no comportamento da produção mundial. Além disso, essa janela temporal também busca acompanhar variações na parcela da produção que é consumida dentro do próprio país fabricante, em comparação com a parcela que é destinada para o comércio internacional (consumo fora do país produtor).


O primeiro produto selecionado é a madeira serrada (tábuas, vigas, mourões, pranchas, pisos, componentes de móveis, blocks, blanks e etc.). A Figura 1 mostra que, considerando 2000 a 2020, tivemos crescimento da produção mundial, exceto no auge da crise financeira mundial em 2009 (aumento acumulado de quase 30%). Avaliando o comportamento do mercado, é fácil perceber que a parcela da produção destinada ao comércio internacional se manteve estável ao longo de todo o período (cerca de 30% da produção mundial). O resultado é que o volume de madeira transacionada entre os países produtores e consumidores cresceu na mesma proporção do consumo interno dos países produtores.

Já a Figura 2 traz a evolução do mercado mundial de painéis de madeira sólida (compensado, chapa dura, EGP e outros). No período, o volume de produção praticamente dobrou, mesmo com o recuo temporário no período da crise financeira mundial. Em termos de mercado, podemos ver uma modificação do perfil nesse grupo de produtos na última década. Mesmo que o volume transacionado tenha crescido nos últimos 20 anos (pouco mais de 60%), o comércio internacional perdeu espaço para o consumo dentro dos países produtores, em termos relativos (passou de mais de 30% para cerca de apenas 25%).

Com relação aos painéis de fibra de madeira (MDF, MDP, HDF e outros), o crescimento da produção mundial foi de 250% no período, com a mesma redução nas proximidades do ano 2009 (ver Figura 3). Aqui também é nítida a mudança do perfil de mercado: a importância do comércio mundial foi reduzida pela metade no período (agora representa cerca de 20% da produção mundial), mostrando sinais evidentes de que este tipo de produto é fabricado prioritariamente para consumo dentro do país de fabricação.

A Figura 4 mostra o comportamento do mercado mundial de celulose (considerando todos os tipos de fibras, naturais ou recicladas, e todos os mercados finais). O crescimento acumulado da produção, no período, foi de apenas 13%, com a tradicional redução nas proximidades de 2009. O destaque é o aumento da importância do comércio internacional da celulose (crescimento de pouco mais de 80% no período), que passou a representar atualmente 36% da produção mundial (frente aos 22% do ano 2000). Esta é uma boa notícia para o Brasil, que possui indústrias altamente especializadas no atendimento do mercado internacional.

No caso do mercado mundial de papel e papelão (ver Figura 5), registrou-se um crescimento do volume de produção de 25% no período. Em termos de comércio, vê-se uma manutenção da relevância do comércio internacional e do consumo interno nos países ao longo de todo o horizonte avaliado.

Em se tratando do mercado de embalagens de papel e papelão, o crescimento da produção foi de aproximadamente 60% nos últimos 20 anos. A importância do comércio internacional para este grupo de produtos praticamente não se alterou nas últimas duas décadas, representando cerca de 1/4 da produção mundial.

A evolução do mercado mundial de cavaco e demais partículas de madeira pode ser vista na Figura 7. O crescimento da produção desse grupo de produtos foi superior a 50% entre 2000 e 2020, com oscilações na metade do período. Contudo, percebe-se que o comércio internacional de cavacos e partículas de madeira é representativamente limitado, quando comparado à produção mundial (apenas 15% do que é produzido é encaminho para outros países).

O último produto de madeira avaliado são os pellets (Figura 8). Sua relevância em termos mundiais só passou a vigorar a partir de 2012. Desde então, o volume de produção quase dobrou. Detalhe interessante é a importância crescente do comércio internacional para este produto, a qual hoje atinge 60% da produção mundial.


Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Gestão e Estratégia - Edição de Março de 2021.