• Marcio Funchal

Características da Indústria de Base Florestal vs Brasil

Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Estratégia e Gestão - Edição de Fevereiro de 2022.



No artigo desse mês o leitor tem à disposição uma demonstração de algumas características das indústrias de base florestal em operação no país, dentre as quais se destacam as empresas de fabricação de celulose, papel e produtos de papel.


Começamos as análises pela quantidade de empresas operando no Brasil. Considerando todos os setores produtivos (indústria, comércio e serviços), temos atualmente quase 4,7 milhões de empresas oficialmente registradas. Deste montante, cerca de 8% representam companhias enquadradas no setor industrial da transformação, ou seja, indústrias que agregam materiais e/ou produtos sobre matérias-primas diversas, fabricando então produtos para outras cadeias produtivas industriais ou para venda diretamente ao consumo final (ver Figura 1). As indústrias do setor de celulose, papel e produtos de papel somam quase 5mil empreendimentos, dos mais diversos portes, produtos fabricados e mercados atendidos.

A Figura 2 mostra sinteticamente que a idade média das indústrias no Brasil é bastante baixa. Considerando todos os setores empresariais, a idade média não ultrapassa os 12 anos de vida. A indústria de celulose, papel e papelão tem idade média de praticamente 16 anos, mesmo que tenhamos indústrias de referência em operação no Brasil que iniciaram negócios em torno dos anos 50.

Com relação ao número de empregos (Figura 3), a indústria da transformação é muito relevante, uma vez que possui mais de 20% do estoque atual de trabalhadores. As indústrias de celulose, papel e produtos de papel, juntas, acumulam quase 200 mil postos de trabalho.

Fazendo uma relação direta entre o estoque de empresas e o estoque de trabalhadores, a Figura 4 mostra que as indústrias de celulose, papel e papelão são bem mais intensivas em mão de obra do que as demais destacadas.

Fazendo um recorte em termos do perfil da mão de obra contratada, temos que as empresas de base florestal são bastante concentradas em trabalhadores do sexo masculino. A maior participação das trabalhadoras mulheres está no setor de comércio e serviços (Figura 5).

A Figura 6 traz outro recorte com relação à composição da massa de trabalhadores, agora especificamente sobre formação universitária. Na média nacional, menos de 15% dos trabalhadores possui ensino superior. Nas empresas do setor de base florestal, a incidência do ensino superior é bem menor, com exceção das indústrias de celulose, papel e produtos de papel, que seguem a média nacional.

Por fim, o último dado comparativo se refere à remuneração média setorial do trabalhador formal (ver Figura 7). Dos setores destacados, a indústria de celulose, papel e produtos de papel é a que melhor remunera os trabalhadores, cerca de 50% acima da média nacional, considerando todos os setores produtivos (indústria, comércio e serviço).


Coluna mensal elaborada à pedido da Revista O Papel/ABTCP - Coluna Estratégia e Gestão - Edição de Fevereiro de 2022.


2 visualizações0 comentário